sábado, 8 de dezembro de 2018

Sonho

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Sonho


Às vezes tenho uma vontade louca de dormir, dormir para nunca mais acordar.

Quando isso acontecer, testemunharei familiares abraçados e como em um passe de mágica tentarão dominar o medo: o medo daqueles que são obrigados a enfrentar o desconhecido.

Aos poucos, a calma chegará e eu vou ser vista como em um sonho, lembranças de alguém que foi amada, mas que já não está aqui.

Espero esse sonho, talvez esteja perto ou esteja longe, não importa o dia, a hora e o lugar. Quando não temos o poder da escolha, só nos resta esperar.

Então, a esperança substituirá o medo, o choro se transformará em riso, e os lamentos se perderão no ar.
Adalgisa Nolêto Perna




sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

ROMÃOZINHO

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ROMÃOZINHO


Vovó, conte uma história, daquelas que a senhora sabe e que gostamos tanto, assim pediu o neto de D. Almerinda.
Vou contar uma, mas peço que prestem muita atenção e não se impressionem com o que vou contar: a história passou-se em um povoado chamado Boa Sorte.
Em uma tarde ensolarada, apareceu um animalzinho esquisito, cheio de mistérios, pois uma hora parecia com macaco, outra com um quati e às vezes com um animal desconhecido. Era estranho, pois aparecia e desaparecia sem deixar rastros, era misterioso e fazia a festa da criançada.
Assim que o animalzinho começou a aparecer recebeu o nome de Romãozinho não se deixava apanhar mesmo tendo a aparência de inofensivo.
Coisas estranhas aconteciam naquele povoado. Algumas famílias sentiram de perto os efeitos daquela temporada sinistra. Pessoas daquela família já não dormiam, não se alimentavam e eram acometidas de doenças desconhecidas. Não se alimentavam porque as panelas mesmo cobertas e no fogão estavam sempre cheias de terra. Quando alguém fazia farinha não era aproveitada porque já saia do forno cheia de sujeiras.
Muitos habitantes de Boa Sorte deitavam bons e amanheciam doentes, sem ao menos condições de saírem das camas, os corpos dessas pessoas doíam tanto e elas falavam que tinham sonhado servindo de cavalos para outras pessoas e que tinham nos corpos  sinais das esporas dos cavaleiros, apanhavam para galoparem que os pés estavam feridos e muito doloridos.
Aquelas pessoas simples sofreram tanto que resolvem ir a uma cidade distante pedir ao Bispo que mandasse alguém para exorcizar as pessoas que eram vitimas daquele grande sofrimento.
O Bispo mandou um padre com poderes para ajudar aquele povo sofrido.
Depois que o padre chegou e que a população foi convocada para rezar todos os dias pedindo a Deus a resolução daquele problema, os acontecimentos foram diminuído até  pararem por completo e todos puderam viver em paz.

 Romãozinho desapareceu como tinha vindo, como por encanto.
Adalgisa Nolêto Perna

domingo, 25 de novembro de 2018

VIDA CONTURBADA

Foto by Madel Perna

VIDA CONTURBADA

Demorados suspiros quebravam o silencio daquela mansão. A família composta de pai, mãe e dois filhos não era feliz. Vivia sufocada na inquietude e devaneios da dona da casa.

Tinha conforto, era bela e ao seu lado tinha um marido carinhoso e compreensivo. Os filhos eram saudáveis e podia estar ao seu alcance tudo que não se pode comprar ou vender, a felicidade.

O marido já não sorria como antes, pois ao seu lado estava uma mulher nervosa e assustada.
Os anos se passaram, as crianças cresceram e o casal, um dos mais prósperos da cidade, não era feliz.
Marjory muito simpática encontrava amigos com facilidade, mas as amizades eram descartadas em pouco tempo porque existia nela desânimo para conservar amigos.

Alguém disse: “essa mulher é amargurada de corpo, alma e coração. Pode ser que eu me engane, mas há um grande segredo que a envolve, alguma coisa que seus amigos e familiares ainda não tiveram a capacidade de desvendar.”

A monotonia e a rotina tornavam fácil o distanciamento. Já não sonhava e nem tinha esperanças. Era o que se chamava de desligada do mundo em que vivia.  O marido pensava: ela já não é mais aquela com quem me casei, tímida, mas ainda se comunicando com seus familiares e pessoas com as quais convivia. Pensava na impossibilidade da convivência com aquela mulher cada dia mais estranha.

Desde o início do casamento  Marjory dormia mal, atordoada por pesadelos: esmurrava a cama, debatia-se, tremia, encolhia-se a um cantinho, dava gritos, pedia socorro e depois de longos minutos acordava aliviada.

O marido sentia-se intrigado com o sofrimento da mulher e perguntava-lhe se queria ir ao médico, consultar um psicólogo, fazer análise e tirar do coração o que tanto lhe amargurava. Ela respondia que não necessitava de médico e que era apenas o modo de ser de cada pessoa. Tinha afinidade com todos os filhos, mas a caçula, a Regina era sua companheira predileta.

Conversavam muito e a filha pediu à mãe que lhe contasse como foi a sua infância pois adorava ouvir história de vida, principalmente dos seus familiares e em especial de sua mãe.  Marjory desconversava e dizia: filha, minha infância foi igual à qualquer menina do interior e completava: na minha infância não tem nada digno de  se notar. Regininha encorajava a mãe para falar do que a atormentava. Mãe,  estou preparada para ouvi-lá pode ter confiança, esvazie-se do que a aflige e só assim terá vida normal.

O medo era muito grande, a coragem como que a abandonava quando pensava na possibilidade de ter de dividir com os outros o seu segredo...

Cansada de sofrer, chamou a filha e depois de abraçá-la, perguntou-lhe: Filha, se eu lhe contasse algo terrível  que me aconteceu no passado você ainda gostaria de mim? A filha com todo amor e carinho respondeu: minha mãe fique tranquila, pois nada no mundo fará diminuir o amor e admiração que eu tenho por você, e não será por um erro do passado que irei desprezá-la.
Encorajada pela filha e estudando o que lhe ia na alma, resolveu acabar de vez com o que não lhe deixava ser feliz. Chamando a filha de lado, pediu que ela se preparasse para ouvir o que pensava nunca conseguir coragem de contar para ninguém, o seu terrível segredo, guardado a sete chaves, no fundo do coração.
Filha, foi há muito tempo, eu era penas uma garotinha de oito anos. Vivíamos alegres, brincávamos juntos eu e meus irmãos. Meus pais viviam em paz, apenas trabalhavam muito.

Tinham fazendas e para desenvolvê-las e aumentá-las viviam com a casa cheia de peões, homens que vinham de todas as partes a procura de trabalho. No meio dos trabalhadores existia um homem alto, lábios grossos, pés grandes e sem nenhuma instrução. Era daqueles que fazem medo  às crianças apenas pela sua presença. O homem, com toda a brutalidade que lhe era peculiar começou a me molestar. Menina inocente tremia de medo quando via ao menos a sombra daquele brutamontes que eu pensava ir me matar. À medida que me molestava estava sempre a me ameaçar: “você tem que ter cuidado até com os sonhos e não pode contar pra ninguém o que aconteceu.

Tem que ficar caladinha... se contar, será o seu fim, seu pai vai lhe matar de pancadas, você vai ser expulsas de casa, não terá pra onde ir e eu apodrecerei na cadeia se não me matarem antes.” Tremendo, eu prometia não contar e o medo aumentava no meu coração de menininha quase bebê. Foi assim que fui vítima da crueldade de uma pessoa rude e inescrupulosa que não arruinou apenas a minha vida porque os seus pais nunca souberam daquele acontecimento nefasto que abalou para sempre a vida de uma pessoa que começava a viver.
No meu tempo de criança uma situação como a que eu vivi era muito difícil, pois os pais distanciavam-se dos filhos, não havia comprometimento nem intimidade entre eles. Nem por sombra atrevia contar para minha mãe o que eu pensava ser um grande pecado, julgando-me suja para o resto da vida.
Ao se abrir com a filha, aquela mulher  tão sofrida deitou e pela primeira vez depois de muito dormiu em paz.

Marjory estava aliviada, mas ainda faltava completar sua tranquilidade.
Com a ajuda da filha, resolveu consultar um analista que a ajudou com sua orientação.
Cada dia, os fantasmas que atormentavam aquela jovem senhora iam se distanciando mais.

O analista explicou para ela que o sofrimento das crianças que foram vítimas de abuso sexual, é não conseguirem contar o que se passou com elas, porque se julgam culpadas e diferentes das outras. É preciso contar para que os culpados sejam punidos e impedidos de abusarem de outras crianças. Ele falou ainda que são muitas Marjorys espalhadas por todo país, divergindo apenas no modo como foram molestadas e como encararam o problema, revoltando-se, ficando de mal com a vida, pedindo apoio aos familiares e às autoridades, ou fazendo os seus corações transformarem-se em pedras de gelo.

Foram duas as fases da vida de Marjory, uma antes e outra depois da análise.

Após tudo isso, ela foi se transformando e aos poucos os fantasmas que a atormentavam deixaram-na para sempre.

Em uma reunião familiar, todos contribuíram para fundarem uma instituição de apoio a criança vítimas de abuso sexual, estendendo a ajuda a seus familiares.
Marjory muito alegre, abraçando o marido e os filhos, deu os primeiros passos para que a obra se realizasse com êxito e em tempo hábil.
A instituição recebeu o nome de “Passo a passo com amor.”
 Adalgisa Nolêto Perna





sábado, 24 de novembro de 2018

ABANDONO FAMILIAR

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ABANDONO FAMILIAR

D. Amélia nasceu em uma família de classe média alta, era querida pelos familiares e amigos, encontrou um bom marido, teve vários filhos, dedicou-se aos familiares e tinha a esperança de uma velhice cheia de carinho, com o passar do tempo foi envelhecendo e verificando que era necessário atender ao pedido dos filhos: ir para um asilo de idosos.
Chegou ali triste pela saudade mas acreditando ter visitas pelo menos todos os meses, o que não aconteceu.
Passaram-se dez anos e as visitas que no começo eram constantes, foram tornando-se raras até que não aconteceram mais.
Eram horas e horas de insônia, de angustia e de desespero até que um dia a campainha tocou insistentemente e ela que sempre estava à espera de uma visita, levantou-se da cama, vestiu robe e atendeu a porta. Puro engano, não era nem um dos seus filhos e sim uma das companheiras que não conseguia dormir e queria o ombro amigo para chorar.
 Reunindo todas as forças  e buscando alento em sua fé, consolou aquela amiga que teve a mesma sorte que ela, disse que os  familiares da amiga deviam ter os seus motivos para não realizarem as visitas. Falou tudo isso para consolar a amiga.
Deus sabia como estava o seu coração vitimado pelo abandono. Fez sua oração, pediu pela família sempre desejando que seus filhos não fossem abandonados na velhice.
Às vezes nos seus pensamentos queria entender a vida de certas pessoas idosas que apesar de terem batalhado muito para criar os filhos, eram abandonados quando mais precisavam da família.
Qual não foi a sua surpresa quando em certo dia alguém veio lhe visitar, dizendo que um dos seus filhos estava à porta da morte e insistia para que chamasse a sua mãe, pois não podia morrer sem abraçá-la e pedir perdão pelo filho ingrato que foi ele dizia: por favor não me deixe morrer sem falar com a minha mãe.
D. Amélia concordou em ir com a neta e depois de abraçar e pedir perdão a mãe, aquele filho ingrato morreu em paz.
D. Amália viveu alguns anos ao lado dos seus familiares e um dia depois de uma reunião familiar, agradeceu a todos pelo carinho, disse não ter mágoas do passado e que desejava a todos muita sorte e pedia aos netos que valorizassem os seus pais para que eles tivessem a felicidade sonhada.  Já era a hora de se recolher ao quarto, abraçou a cada um e a agradeceu, falou da sua felicidade e sorrindo desejou-lhes uma boa noite.
Às nove horas da manhã ainda não tinha levantado e causou admiração a todos que chamaram, bateram na porta e foi preciso usar os serviços de um chaveiro para abri-la.
E qual não foi o espanto de todos quando ao chamá-la não encontraram os sinais vitais.
A vovó estava como que dormindo, sorrindo ela deixou a família para receber o prêmio daqueles que souberam viver aqui na terra.
Ao lado da sua cama encontraram um bilhete que dizia; quando eu partir, por favor, cante no velório a música do rei Roberto Carlos; é Preciso  Saber Viver... E assim D. Amélia partiu para a outra dimensão.

Adalgisa Nolêto perna


domingo, 4 de novembro de 2018

Mulher De Mente Cansada

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Mulher De Mente Cansada

Mulher de mente cansada,
Mulher de mente cansada.
Faz tudo e dizem que é nada
Mulher de mente cansada.

Ás vezes tem que buscar força.
Na sua própria força,
Mulher de mente cansada,
Mulher de mente cansada.

Os problemas da família,
Afetam seu pobre coração,
Mulher de mente cansada,
Mulher de mente cansada.



Ela tem que administrar
Casa, família e pensamentos,
Mulher de mente cansada,
Mulher de mente cansada.

A injustiça e a ingratidão
Vão chegando de mansinho,
Mulher de mente cansada,
Mulher de mente cansada.

Um dia Ela descansará
E não terá mais sua mente cansada,
Sua mente cansada,
Sua mente cansada.
Adalgisa Nolêto Perna

Velhice



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Velhice


Alguém disse:
Velhice não dói,
Saúde que é preciso.

Devemos dar graças a Deus,
Por ter chegado até aqui...
Com o apoio da família
E o respeito de todos,
Sejamos alegres,


O amor é preciso
A experiência conta em nossas vidas,
Quem viveu tem muito que oferecer,
As rugas e os cabelos brancos mostram o entardecer.


Adalgisa Nolêto perna


Por quê?

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Por quê?

Por que tanto ódio  entre as pessoas?
Por que elas se matam, quando podiam se abraçar?
Por que pais e filhos não se entendem?
Por que há desarmonia nos lares?
Por que o preconceito racial,  se  somos filhos do mesmo pai,
E só vale o que bem fazemos aqui?
Crianças abandonadas, pessoas sem terra, sem teto e com fome?
E os assaltos, roubos estupros?
Por que os crimes  e as drogas rolam soltas sem qualquer providência?
São inúmeras as chacinas nas grandes cidades.
Por que não valorizar a vida do outro?
Por que não dar graças a Deus pelo que temos e pelo que somos?
Por que não repartir e diminuir o sofrimento do nosso semelhante?
Somos qualidades e defeitos, depende de nós para onde vamos.
Adalgisa Nolêto perna

Sonho

Imagem retirada da internet Sonho Às vezes tenho uma vontade louca de dormir, dormir para nunca mais acordar. Quando isso ac...